A Universidade de Caxias do Sul inicia ainda neste mês uma nova pesquisa sobre a produção de bioenergia no Estado. Desta vez o grupo de pesquisas sobre Enzimas e Biomassas do Instituto de Biotecnologia juntamente com pesquisadores do Núcleo de Inovação e Desenvolvimento em Agroenergia da UCS vão desenvolver estudo sobre o aproveitamento do capim-elefante. O trabalho está sendo viabilizado a partir de convênio realizado entre a Instituição e o governo do Estado. A iniciativa é vinculada ao Projeto Estruturante Pólo Tecnológico Estadual e dá continuidade às ações do Pólo de Modernização Tecnológica da Região da Serra.
O objetivo da pesquisa é utilizar o capim-elefante, gramínea de fácil desenvolvimento no estado e de baixo custo de produção, diretamente como fonte de energia calorífica e também para a produção de combustíveis líquidos. De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Dr. Aldo Dillon, o aproveitamento do capim pode se dar por três processos diferentes: trituração e queima em queimadores para a produção de energia térmica - o calor pode ser aproveitado para a secagem de frutas e ervas com a vantagem de que a fumaça produzida pela gramínea não contém os resíduos presentes na serragem, por exemplo -; pirólise - através da queima do capim a altas temperaturas ( 500-800º C ) é possível extrair um óleo que pode ser utilizado como combustível -; ou pela hidrólise enzimática- através de um pré-tratamento da palha e posterior aplicação de um complexo de enzimas que quebram a celulose é possível fermentar o resíduo para produzir o etanol.
Com relação a hidrólise enzimática, o grupo de pesquisadores da UCS, que desenvolveu as enzimas denominadas celulases para quebrar a celulose, fará a hidrólise do capim para estimar os custos de produção do álcool combustível. "O Rio Grande do Sul não produz álcool de cana com finalidade de combustível por causa do clima, mas, ao mesmo tempo, dependemos do álcool, então precisamos encontrar uma alternativa", argumenta Dillon.
De acordo com o pesquisador, que também participa do projeto nacional Bioetanol - 13 universidades brasileiras estão engajadas na corrida pela tecnologia que garantirá ao Brasil a duplicação da produção de álcool combustível -, no estado, o capim-elefante pode vir a ser a bioenergia mais barata. "A enzima produzida na UCS tem alto potencial para quebrar a celulose, que é a parte mais difícil para a produção de etanol a partir de resíduos, mas ainda precisamos estimar os custos". O estudo terá duração três anos e deve anteceder a construção de uma planta piloto que poderá ser localizada na região de Nova Petrópolis, onde o capim-elefante é mais abundante. O estudo beneficiará setores como mecatrônica, móveis, plástico e agroindústria.
Para entrevistas:
Coordenador do grupo de pesquisas sobre Enzimas e Biomassas do Instituto de Biotecnologia da UCS, professor Aldo Dillon - (54) 3218.2078
Para entrevistas:
Coordenador do grupo de pesquisas sobre Enzimas e Biomassas do Instituto de Biotecnologia da UCS, professor Dr. Aldo Dillon - (54) 3218.2078
Claiton Stumpf
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